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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Entre o público, o privado e o sagrado


Primeiro foram as acusações do Ministério Público contra Edir Macedo. O dinheiro da Igreja Universal estaria sendo utilizado com objetivos financeiros não permitidos a instituições religiosas.

Em seguida uma disputa midiática entre Globo e Record, ambas empresas privadas que, independente da tradição religiosa a qual estão vinculadas, são grandes formadoras da opinião pública.

Acho tão curioso, e na maioria das vezes triste também, como a sociedade vivencia a religião como se fosse apenas mais um campo social, como a política, a economia, etc. Diante de tantos escândalos e disputas, onde fica aquilo que de mais belo, simples e essencial constitui as práticas religiosas: a Fé?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Em Nome do Filho


Depois de muito tempo sem postar venho anunciar a novidade: Terminei o vídeodocumentário "Em nome do Filho", a peça de estudo e produção que desenvolvi junto com outras quatro amigas para a conclusão do curso de Jornalismo.

Trata-se de um documentário expositivo que mostra o trabalho de três pessoas que pertencem a segmentos diferentes da religião cristã, mas que tem em comum a prática da ação social. O vídeo discute os papéis da Igreja, Estado e Sociedade Civil, aliada ao Terceiro Setor.

Modéstia à parte, o vídeo ficou muito bom, dentro das nossas expectativas e possibilidades, e não sou eu só que digo, o trabalho foi avaliado com 10 pela Banca examinadora.

Espero que ele não se limite apenas a um trabalho de conclusão de curso e possa despertar debate e incentivar a ação social de pessoas religiosas e não religiosas.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Passagens


Domingo inicia-se a Semana Santa. Para muitos isto não significa nada, ou é época de comprar chocolate e descansar no feriado.

Para mim, que vivi minha infância praticamente acampada dentro da igreja, era o evento mais importate do ano. Mais até que o Natal, que sempre me pareceu mais encontro de família do que vivência de espiritualidade, como era a Páscoa.

Falo era porque conforme o tempo foi passando, também eu fui me afastando desta tradição. Teve até um ano em que eu fui pra balada na sexta -feira santa, data em que os católicos se resguardam para refletir sobre a morte de Jesus.

Diversos motivos provocaram o meu afastamento da igreja. Eu cresci, entrei em contato com novas experiências, com novos conhecimentos, novas culturas. Mas às vezes eu sentia falta daquilo que vivia tão intensamente na infância.

Neste ano porém um motivo muito forte provocou uma necessidade real de voltar a me preocupar com assuntos religiosos - meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo, que refletirá sobre a questão da ação social cristã.

Apesar de afastada da igreja, a minha fé eu nunca perdi. E ela me aponta que nada é por acaso na vida. Por isso, não me sinto culpada por ser de certa forma negligente com a minha religião, acho que isso também faz parte do nosso aprendizado. E também acredito que há um propósito para este meu trabalho e para a volta de certos pensamentos e valores, que serão preenchidos com experiências novas que vamos adquirindo.

Para mim é aí que reside a espiritualidade da Páscoa. Uma época para se repensar nas nossas ações, nos nossos valores e recriá-los, para que se tornem mais fortes, assim como Jesus ressuscitou da morte.

E por mais estranho que possa parecer, às vezes isto não tem a ver com religião, mas sim na fé que você deposita em si mesmo e nos outros. É por isso que certas datas comemorativas às vezes se fazem necessárias. E é nisso que todos, inclusive ateus, deveriam pensar de vez em quando.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

“Ele está no meio de nós”



Fui à missa de canonização de Frei Galvão no Campo de Marte, presidida pelo papa Bento XVI. Foi muito emocionante, para mim que sou católica. Mas neste post quero falar basicamente sobre os não católicos.

Muita gente andou dizendo por aí que toda a preparação para a vinda do Papa ao Brasil foi um exagero. Acho particularmente que esse é o tipo de comentário de quem gosta de botar nosso país pra baixo. É claro que tinha que haver toda aquele cuidado, afinal se alguma coisa acontece com o papa em terras brasileiras, imagine os prejuízos políticos, econômicos, culturais que todos nós teríamos que enfrentar. Isso é sim responsabilidade do Estado.

Que a mídia se tornou um pouco excessiva, isso posso concordar. Até eu cansei de ver a Fátima Bernardes pulando de galho em galho, de igreja em igreja. Mas também acho justificável, porque não foram todos que puderam como eu, estar presencialmente em um dos eventos que o Santo padre participou. O Brasil é um país muito grande, onde as estatísticas ainda mostram que o catolicismo é a preferência religiosa entre as pessoas. Se o jornalismo é feito para a opinião pública...

O que achei errado na mídia e conseqüentemente nos comentários das pessoas foi se apegar a detalhes que não refletem a real importância do evento. A polêmica do tema do aborto, entre outros, deixou de lado a descrição do que realmente aconteceu por aqui.

Antes de burocratizar e politizar tudo o que envolve a Igreja católica, as pessoas deveriam tentar entender o que move aproximadamente 1 milhão e 200 mil pessoas em um lugar para celebrar um ritual. E o porquê de diferentemente da Virada Cultural, por exemplo, não acontecer uma briga ou confusão. O clima era um dos mais agradáveis.

Quem me conhece sabe que eu sou meio hippie. E pra mim a missa no campo de marte foi um momento muito paz e amor. Acho que até mesmo um ateu concordaria comigo se estivesse presente naquele momento lá. Não acho que minha religião detém a única verdade do mundo. Mas a missa confirmou o que Jesus disse: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei entre eles”.

É isso que muitas pessoas não conseguem enxergar. Não aconteceu uma adoração ao papa, que é um homem como todos os outros. As pessoas não estavam ali por ele. A sua presença é que possibilitou uma recarga das energias positivas que muitas vezes são esquecidas e que a partir de um evento diferente são rebuscadas.

Além disso o que eu pude perceber naquele dia e também através da mídia é que o papa se mostrou totalmente contrário à idéia de estrelato e deu uma grande lição de humildade. O que parece é que ele que mais ganhou com o encontro. O fato de se esforçar pra falar nosso idioma, muito bem, aliás, nos mostra isso.

Durante sua homilia, ou discurso, como preferirem, o papa salientou que necessitamos de “inteligências simples”. Acho que os intelectuais deveriam ser mais tolerantes com a fé dos outros. Eu mesma tinha uma certa antipatia por Bento XVI, mas depois desse fim de semana passei a admirá-lo. E ainda mais este povo brasileiro, culturalmente acolhedor, e que se não tem fé, tem ao menos esperança.