Essa semana eu tive duas experiências artísticas muito interessantes. Na terça-feira, fui em um bate-papo sobre cultura livre com Fernando e Gustavo Anitelli, d’O teatro Mágico no espaço jesuíta Anchietanum. O grupo ganhou destaque ao mesclar música, poesia, circo, teatro em espetáculos emocionantes, que atingem sobretudo os jovens.
No dia seguinte, na quarta-feira, tive uma surpresa boa, ganhei ingresso para assistir ao musical “Bibi, histórias e canções”, uma merecida homenagem para Bibi Ferreira, artista maravilhosa, que eu pouco conhecia, pois infelizmente minha geração não acompanhou tanto o seu trabalho. Entre o público, no teatro Frei Caneca, predominavam pessoas idosas.
Essa sequência de eventos me fez pensar muito sobre a cultura brasileira, sobre como possuímos artistas incríveis ao longo da história, nem sempre valorizada. Nosso país precisa dar mais destaque para essas pessoas e mais pessoas precisam conhecê-las, ter acesso a espaços culturais, vivenciar momentos como os que eu vivi.
Ver Bibi Ferreira, aos 90 anos (e sob um salto muito alto), cantando lindamente foi uma grande lição de vida. É preciso ter muita paixão pelo que se faz para ter disposição e continuar se apresentando nessa idade. É preciso amar muito a vida para não se entregar.
Me emocionei muito com suas histórias, com sua alegria, com seu humor, até mesmo ao lidar com o tema da morte, inevitável para todos nós com o passar dos anos. Talvez a tal sabedoria seja esta: conviver com a ideia constante de que a vida acaba.
A vida acaba, mas a poesia prevalece. O Teatro Mágico e tantos outros artistas são o presente e o futuro da cultura brasileira. Artistas talentosos, mas também comprometidos com o bem da sociedade. É disso que o Brasil precisava, nos palcos em que Bibi pisou nos tempos da ditadura. É disso que o Brasil sempre vai precisar.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
domingo, 3 de maio de 2009
A outra virada...

Participei das duas edições anteriores da Virada Cultural aqui de São Paulo e escrevi sobre elas aqui no Blog. Este ano fui viajar, lamentando de não participar desse, que já se tornou um dos eventos mais esperados da cidade.
Mas para a minha surpresa, ao voltar de viagem, me deparei com uma grande animação na praça Sta. Quitéria. Não, não se trata da Pça da Sé, nem da João Mendes, nem a da República. A praça Sta. Quitéria fica localizada na minha rua e é uma das maiores do Jardim Nordeste (sim, ele fica em São Paulo).
O evento, organizado pela sociedade do bairro, contava com barracas de lanches e bebidas, brinquedos para crianças e um palco, espécie de trio elétrico, onde aconteceram diversas apresentações no fim de semana, inclusive da banda de reggae Filhos do 7 (do meu amigo) que eu fui prestigiar.
Fiquei feliz por participar desta vez de uma rota alternativa da Virada. O evento está alcançando a periferia e isso é um sinal muito positivo. Sinal de que a cultura se "vira" em todo lugar.
foto: www.flickr.com/.../discuss/72157594395274248/
domingo, 27 de abril de 2008
Um só quadrado!

Ano passado eu escrevi no Blog sobre a Virada Cultural, contando como eu me meti em algumas situações pelas quais eu passei. Este ano, pela segunda vez que participo, eu pensei mais sobre as outras pessoas que curtiram as 24 horas de Cultura em São Paulo.
Acho que nenhum outro evento da cidade consegue atrair pessoas tão diferentes. Primeiro, descendo da estação do Metrô (República), me vi diante de vários grupos de roqueiros, uns comedidos, outros ultra-personalizados. Desde cuturnos a AllStars sujos (como os meus, que estavam limpos, mas agora já estão no tanque), eles eram bem extravagantes e chamavam atenção.
Passei pelas ruas de reduto GLS, vi michês e travestis, vi a tribo dos estudantes "pseudo-intelectuais-alternativos", a tribo dos regueiros e forrozeiros, com camisetas ao estilo Taidai e sandálias de dedo, enfim, encontrei desde meninas com minimicosaias ao estilo "pagode-funk", até senhoras ao estilo "mães-avós", um tanto perdidas noite adentro.
Apesar dos conflitos no ano passado durante a apresentação dos Racionais, acredito que essa é a única festa promovida pelo Estado, que valoriza as diferenças, com espaço para todas os tipos de manifestação cultural. É interessante observar como as pessoas da periferia se deslocam para o Centro, em uma tentativa de realmente fazer parte da cidade, e como pessoas mais ricas esquecem o medo da violência e abrem mão de suas blindagens para caminhar pelas ruas.
Acho que essa característica do evento é o que fez com que ele se consolidasse e se tornasse um sucesso de público a cada ano. Não é uma tentativa de criar uma identidade única forçada através da imposição de "gostos", há um respeito pela diversidade. Não se trata de uma festa idealista. Ela é inspirada apenas na "Nuit Blanche" francesa, e não em seus princípios iluministas...
domingo, 2 de dezembro de 2007
NAÇÃO FIEL

Domingo histórico. Hoje sim o dia parecia de final de campeonato. O clima na cidade por todas as partes era de tensão e ansiedade. Enfim o jogo decisivo do Corinthians contra o Grêmio.
Sai de casa com objetivo de voltar logo para assistir o jogo. O horário saiu um pouco dos meus planos. Assisti o primeiro tempo na loja C&C (a de materiais de construção). Eu e mais uns 10 homens em frente à televisão. Alguns eram corintianos, outros não. Mas todos sabiam que se tratava de um grande jogo.
É disso que quero falar. Não importa a situação, sempre quando o assunto é Corinthians, há um reconhecimento de todos que trata-se de um tema importante. Seja para torcer ou para falar mal.
Talvez o que eu diga não tenha valor, porque é parcial, afinal sou corintiana roxa, ou melhor, alvi-negra. Mas eu vejo o Corinthians como a grande representação do que é ser brasileiro.
Sim, brasileiros, porque amamos futebol, porque acreditamos que até o último instante ainda dá-se um jeitinho...e que isso nem sempre é negativo, afinal, não perdemos nunca a esperança.
Brasileiros, porque mesmo tendo representantes corruptos dentro da Administração do time (e um time que deixa a desejar), nós confiamos no que somos, na torcida, no amor que dedicamos, que só quem é corintiano entende.
Acho que por isso somos a maior torcida do Brasil. Não trata-se apenas de vagabundos que não tem mais o que fazer, como muitos dizem (e que as vezes tem fundamento). A torcida corintiana é uma das maiores expressões culturais do nosso país.
E hoje,mesmo com o time sendo rebaixado, a torcida foi a grande vencedora. E continuará, não importa se em A, B, C, ou qualquer letra do nosso alfabeto.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
“Ele está no meio de nós”

Fui à missa de canonização de Frei Galvão no Campo de Marte, presidida pelo papa Bento XVI. Foi muito emocionante, para mim que sou católica. Mas neste post quero falar basicamente sobre os não católicos.
Muita gente andou dizendo por aí que toda a preparação para a vinda do Papa ao Brasil foi um exagero. Acho particularmente que esse é o tipo de comentário de quem gosta de botar nosso país pra baixo. É claro que tinha que haver toda aquele cuidado, afinal se alguma coisa acontece com o papa em terras brasileiras, imagine os prejuízos políticos, econômicos, culturais que todos nós teríamos que enfrentar. Isso é sim responsabilidade do Estado.
Que a mídia se tornou um pouco excessiva, isso posso concordar. Até eu cansei de ver a Fátima Bernardes pulando de galho em galho, de igreja em igreja. Mas também acho justificável, porque não foram todos que puderam como eu, estar presencialmente em um dos eventos que o Santo padre participou. O Brasil é um país muito grande, onde as estatísticas ainda mostram que o catolicismo é a preferência religiosa entre as pessoas. Se o jornalismo é feito para a opinião pública...
O que achei errado na mídia e conseqüentemente nos comentários das pessoas foi se apegar a detalhes que não refletem a real importância do evento. A polêmica do tema do aborto, entre outros, deixou de lado a descrição do que realmente aconteceu por aqui.
Antes de burocratizar e politizar tudo o que envolve a Igreja católica, as pessoas deveriam tentar entender o que move aproximadamente 1 milhão e 200 mil pessoas em um lugar para celebrar um ritual. E o porquê de diferentemente da Virada Cultural, por exemplo, não acontecer uma briga ou confusão. O clima era um dos mais agradáveis.
Quem me conhece sabe que eu sou meio hippie. E pra mim a missa no campo de marte foi um momento muito paz e amor. Acho que até mesmo um ateu concordaria comigo se estivesse presente naquele momento lá. Não acho que minha religião detém a única verdade do mundo. Mas a missa confirmou o que Jesus disse: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei entre eles”.
É isso que muitas pessoas não conseguem enxergar. Não aconteceu uma adoração ao papa, que é um homem como todos os outros. As pessoas não estavam ali por ele. A sua presença é que possibilitou uma recarga das energias positivas que muitas vezes são esquecidas e que a partir de um evento diferente são rebuscadas.
Além disso o que eu pude perceber naquele dia e também através da mídia é que o papa se mostrou totalmente contrário à idéia de estrelato e deu uma grande lição de humildade. O que parece é que ele que mais ganhou com o encontro. O fato de se esforçar pra falar nosso idioma, muito bem, aliás, nos mostra isso.
Durante sua homilia, ou discurso, como preferirem, o papa salientou que necessitamos de “inteligências simples”. Acho que os intelectuais deveriam ser mais tolerantes com a fé dos outros. Eu mesma tinha uma certa antipatia por Bento XVI, mas depois desse fim de semana passei a admirá-lo. E ainda mais este povo brasileiro, culturalmente acolhedor, e que se não tem fé, tem ao menos esperança.
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