
Ano passado eu escrevi no Blog sobre a Virada Cultural, contando como eu me meti em algumas situações pelas quais eu passei. Este ano, pela segunda vez que participo, eu pensei mais sobre as outras pessoas que curtiram as 24 horas de Cultura em São Paulo.
Acho que nenhum outro evento da cidade consegue atrair pessoas tão diferentes. Primeiro, descendo da estação do Metrô (República), me vi diante de vários grupos de roqueiros, uns comedidos, outros ultra-personalizados. Desde cuturnos a AllStars sujos (como os meus, que estavam limpos, mas agora já estão no tanque), eles eram bem extravagantes e chamavam atenção.
Passei pelas ruas de reduto GLS, vi michês e travestis, vi a tribo dos estudantes "pseudo-intelectuais-alternativos", a tribo dos regueiros e forrozeiros, com camisetas ao estilo Taidai e sandálias de dedo, enfim, encontrei desde meninas com minimicosaias ao estilo "pagode-funk", até senhoras ao estilo "mães-avós", um tanto perdidas noite adentro.
Apesar dos conflitos no ano passado durante a apresentação dos Racionais, acredito que essa é a única festa promovida pelo Estado, que valoriza as diferenças, com espaço para todas os tipos de manifestação cultural. É interessante observar como as pessoas da periferia se deslocam para o Centro, em uma tentativa de realmente fazer parte da cidade, e como pessoas mais ricas esquecem o medo da violência e abrem mão de suas blindagens para caminhar pelas ruas.
Acho que essa característica do evento é o que fez com que ele se consolidasse e se tornasse um sucesso de público a cada ano. Não é uma tentativa de criar uma identidade única forçada através da imposição de "gostos", há um respeito pela diversidade. Não se trata de uma festa idealista. Ela é inspirada apenas na "Nuit Blanche" francesa, e não em seus princípios iluministas...