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domingo, 17 de junho de 2007

A epopéia da Greve


É engraçado, as mais importantes greves que têm acontecido na cidade tem influenciado minha vida diretamente...a da USP que mesmo com a volta dos professores permanece através de piquetes dos estudantes e a do metrô na quinta feira, que me fez ficar uma hora e meia dentro do ônibus e depois andar mais uma meia hora a pé, tudo isto pra não perder a nota de uma prova...

Acho que desde a revolução industrial ninguém mais conseguiu inventar um método de manifestar a insatisfação tão eficaz quanto a greve. O problema é que em nossa sociedade "pós-moderna" tudo tende a se banalizar e os efeitos não conseguem ser tão imediatos.

Antes estava contrária a permanência na Reitoria, mas agora sou a favor. Eles já estão lá há mais de 40 dias e vão sair sem nenhuma mudança? Isso só vai piorar a situação do movimento estudantil. E apesar dos pesares, a ocupação está servindo de exemplo. Várias reitorias de diversas Universidades do país estão sendo invadidas, e alertando para a precariarização do Ensino Superior público e o descaso que há anos a educação no geral tem no país.

Só acho errado transformar a Ocupação em disputa política. Pelo que soube, os partidos que participam das assembléias dos estudantes estão em desacordo. Acho que nem deveria haver partidos à frente da manifestação, mas política é assim mesmo. E em um "neoliberalismo", os estudantes estariam mais passivos e desorganizados. O problema é que as reinvidicações acabam se perdendo no meio de tudo isto.

Quanto à greve do Metrô esta sim garante retorno. O metrô é a coisa mais importante da cidade. Sem ele realmente a cidade vira um caos. Os últimos dias foram prova disto, pela greve e pela falha. Agora em relação a essa paralisação, não posso opinar. Eles têm o direito deles. Nós passageiros temos que nos virar...eu paulistana dei um jeitinho brasileiro...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

"Nada de novo no front..."


A Crise na USP continua e eu continuo sem aula, sem saber se vou perder o semestre, se vou repor aula, sem ir pra faculdade, e desanimada em relação a forma como as coisas se encaminharam.

Acho que cada vez que os estudantes lutam para vencer a batalha criada, mais eles perdem. A cada dia que eles ficam a mais na reitoria e depois da confusão de ontem, acredito que a opressão vai ser inevitável. E pouco serão os benefícios verdadeiros que se conseguirão com isso.

Infelizmente a opinião pública não contribui para os movimentos sociais, no caso os estudantis. Na televisão, ao noticiar sobre a manifestação, os jornais apenas falavam do trânsito gerado e do sofrimento que os cidadãos "de bem", os trabalhadores, estavam enfrentando.

Ninguém se preocupa que diariamente há trânsito no farol da Faria Lima, por causa de um projeto imbecil que coloca o ponto de onibus no Farol, mas quando acontece uma manifestação, os reportéres estão lá, mostrando o que na verdade acontece todos os dias. Mais uma vez, eu estudante de jornalismo me vejo diante das distorções da mídia...

Mas o que acho que há de mais negativo na cobertura é que ela é reflexo do pensamento individualista da nossa sociedade. Ao invés de refletirmos sobre as reinvidicações dos estudantes, ficamos preocupados com o que isso vai atrapalhar no meu cotidiano.


Não acho que o caminho que a greve está tomando e as manifestações sejam os melhores. Mas a sociedade e principalmente a mídia deveria ser mais compreensiva com os movimentos de massa, que estão muito desarticulados atualmente. Quem sabe assim não seriam necessários confrontos com a polícia e pancadarias para chamar a atenção do governo em relação às necessidades das nossas instituições.

*fonte das fotos: yahoo notícias
Para saber mais: http://ocupacaousp.noblogs.org (Blog oficial da ocupação)